Obaluaê
No Ifá Cubano, a divindade que corresponde ao Obaluaê brasileiro é conhecida principalmente como Babalu Ayé. Ele é uma das entidades mais respeitadas e temidas, devido ao seu imenso poder sobre a saúde e a vida.
Babalu Ayé é o senhor das doenças contagiosas (historicamente a varíola e a lepra, hoje associado a epidemias modernas e doenças de pele) e, simultaneamente, o milagreiro que traz a cura. Ele é a energia da transformação através do sofrimento.
Diferente do Brasil, onde "Obaluaê" (Jovem) e "Omolu" (Velho) são os nomes mais comuns, em Cuba o nome Babalu Ayé (Pai do Mundo) é o padrão. Ele é frequentemente chamado de "Pai" ou "Velho" como sinal de extrema reverência.
Babalu Ayé tem uma conexão profunda com a cultura Arará (proveniente do antigo Daomé, hoje Benin) dentro de Cuba. Muitas cerimônias para ele são feitas em dialeto e estilos musicais específicos dessa linhagem, que se fundiu com a tradição Lucumí (Iorubá).
O Ja (Ajá): Sua principal ferramenta é o Ja, um feixe de fibras de palmeira ou ramos amarrados, usado para "limpar" as doenças do corpo do devoto.
Vestimentas: Ele é coberto por estopa (saco de juta), decorada com búzios e contas vermelhas e pretas (ou roxas em algumas casas). A palha da costa (mariwó) também é essencial.
Os Cães: Babalu Ayé é quase sempre representado acompanhado por dois cães, que são seus mensageiros e protetores, simbolizando sua conexão com os excluídos e os necessitados.
Ele é um Orixá de "terra" e "sangue". Suas danças são dramáticas, simulando a dor física e a fraqueza, para depois mostrar a superação e a força da vida. No Ifá Cubano, ele é visto como uma divindade de extrema disciplina. Quem trabalha com Babalu Ayé deve ser impecável com promessas e caráter.
Para o Babalaô, Babalu Ayé é uma força fundamental para rituais de limpeza pesada (paraldo ou sarayeye). Quando um signo (Odu) indica que a pessoa corre risco de saúde grave, é a Babalu Ayé que se recorre. Ele é o senhor do destino biológico.
Em Cuba, seu sincretismo com São Lázaro é fortíssimo. A peregrinação ao Santuário de El Rincón, perto de Havana, é uma das maiores manifestações religiosas da ilha, onde milhares de devotos pagam promessas muitas vezes extremas em busca de saúde.
Em resumo, Babalu Ayé é a resiliência. Ele ensina que mesmo na maior fragilidade do corpo, o espírito pode encontrar o "Aché" (poder) para se regenerar e governar o próprio mundo.