Órun
No Ifá Cubano, Óro (ou Orun) não é um Orixá comum que incorpora, mas sim uma das divindades mais secretas e poderosas do panteão. Ele é a personificação do poder dos ancestrais masculinos e o guardião do portal da morte.
Enquanto *Egun* refere-se aos espíritos dos mortos individualizados (seus parentes, por exemplo), Óro representa a coletividade dos mortos e a força espiritual que executa a justiça divina.
Óro é frequentemente chamado de "O vento que leva a morte". Ele está intrinsecamente ligado a Ikú (a personificação da morte). Sua manifestação sonora é o seu aspecto mais conhecido: o som de um zumbido ou rugido produzido por um instrumento chamado "zumbador" ou "losange", que corta o ar durante as cerimônias noturnas.
Diferente da maioria dos cultos afrocubanos, o culto a Óro é estritamente masculino. No Ifá Cubano, é uma sociedade secreta onde mulheres e não-iniciados são proibidos de ver o fundamento ou as cerimônias. Acredita-se que o poder de Óro é tão denso que poderia afetar negativamente a fertilidade feminina.
Historicamente, na tradição Iorubá que migrou para Cuba, a Sociedade Óro funcionava como o "braço policial" e judicial da comunidade. No Ifá:
- Ele é invocado para purificar cidades de epidemias ou energias negativas.
- Ele é o encarregado de lidar com espíritos perturbadores que não querem deixar o plano terrestre.
- Ele executa as sentenças espirituais determinadas por Orunmilá.
Óro foca no som, no segredo e no poder invisível que mantém o equilíbrio entre o mundo dos vivos (Ayé) e o dos mortos (Orun).
Óro é o "Poder Executivo" do além. Ele é a força ancestral que garante que as leis espirituais sejam cumpridas e que a barreira entre a vida e a morte seja respeitada. É uma energia de silêncio, respeito e disciplina rigorosa.