Oxum

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No Ifá Cubano, Ochún (como é grafada em Cuba) é uma das divindades mais queridas, poderosas e centrais do panteão iorubá. Ela é a Orixá do amor, da beleza, da fertilidade, da riqueza e das águas doces (rios e fontes).
Sua importância vai muito além da imagem superficial de vaidade; Ochún é uma força elemental indispensável para a continuidade da vida e para a mediação entre os seres humanos e o divino.
Abertura de Caminhos: Assim como os rios fluem e contornam obstáculos, Ochún é invocada para fazer a vida fluir, trazendo doçura, abundância e resolvendo conflitos através da diplomacia e do charme.
Dona da Fertilidade: Ela rege a concepção, o útero e a maternidade. É a protetora das mulheres grávidas e das crianças pequenas. Sem sua permissão, diz-se que a vida humana não pode se perpetuar.
Atração e Encanto: Ochún personifica a sensualidade feminina, o amor romântico e a capacidade de atração. Ela ensina a arte da sedução, não apenas sexual, mas também social e política.
Abundância Material: Ela também é a dona do ouro e do dinheiro. Seus devotos a procuram para obter prosperidade financeira, sucesso nos negócios e estabilidade material. Ela gosta de luxo, coisas bonitas e brilhantes.
A relação entre Ochún e Ifá (o sistema de adivinhação) é profunda nas lendas (patakís) cubanas:
Aprendiz de Adivinhação: Algumas histórias contam que Ochún foi a primeira Orixá feminina a aprender a arte da adivinhação com as conchas (Dilogún) com Obatala ou com o próprio Orunmilá.
Salvadora da Humanidade: Uma lenda famosa narra que, quando Olodumare (o Deus Supremo) se retirou e a Terra secou, foi Ochún quem, transformada em um pavão (ou abutre em outras versões), voou até o céu para implorar por chuva, salvando o mundo da aniquilação. Por isso, ela é vista como uma mensageira vital.
Ela é geralmente descrita como doce, alegre e generosa, mas seu zanga é temível. Quando Ochún fica brava, ela não grita; ela sorri enquanto planeja uma punição fria e implacável, muitas vezes usando suas águas para inundar ou secar.
Como outros Orixás em Cuba, Ochún tem diferentes "caminhos" ou manifestações (oddú), que representam diferentes fases de sua vida ou aspectos de sua personalidade. Alguns exemplos:
Ochún Ibú Kolé: A fase pobre, trabalhadora, associada ao abutre, que come coisas podres para limpar o mundo.
Ochún Ololodí: A fase guerreira, séria e diplomática, que vive no fundo do rio e usa sabre.
Ochún Yalodé: A rainha da cidade, rica, vaidosa e festeira.
Em resumo, Ochún no Ifá Cubano é a força que traz doçura, amor e diplomacia a um mundo muitas vezes duro e guerreiro. Ela é a mãe que nutre, a rainha que prospera e a diplomata que garante que as preces humanas cheguem aos ouvidos divinos.