Ogun
No Ifá Cubano, Oggún (ou Ogum) é o Orixá do ferro, da guerra, do trabalho e da tecnologia. Ele é a força bruta e necessária que transforma a natureza bruta em ferramentas e civilização.
Oggún é o dono de todos os metais e, por extensão, de tudo o que é feito com eles: facas, ferramentas agrícolas, motores, armas e até bisturis cirúrgicos. No Ifá Cubano, ele é o eterno trabalhador, aquele que não descansa e que usa sua força para abrir caminhos na selva.
Junto com Eleguá, Ochosi e Osun, Oggún faz parte do grupo dos Guerreros (Guerreiros), as primeiras divindades que um iniciado recebe em Ifá.
Enquanto Eleguá abre o caminho, Oggún o limpa com seu facão (machete), removendo obstáculos físicos e espirituais.
Ele vive geralmente em um caldeirão de ferro (caldero) com suas ferramentas de trabalho e uma pedra de raio.
No culto cubano, Oggún tem um papel técnico vital: ele é o dono da faca. Como todo sacrifício ritual envolve um instrumento de metal, diz-se que nenhum sacrifício é aceito sem a sanção de Oggún. Ele é quem "consome" o sangue primeiro através da lâmina, servindo de ponte para que a energia chegue aos outros Orixás.
Com Ochosi: Eles formam uma parceria inseparável (a união da força com a precisão). Diz a lenda que Oggún fazia o caminho mas não achava a caça, e Ochosi achava a caça mas não conseguia atravessar o mato; por isso, hoje vivem juntos no caldeirão.
Com Changó: Possui uma rivalidade histórica em diversos patakís (lendas), geralmente disputando o domínio sobre territórios ou o amor de Oiá.
Para o Babalaô (sacerdote de Ifá), Oggún é uma divindade de suporte fundamental. Ele representa o esforço necessário para que as profecias se realizem. No Ifá Cubano, muitos Odus (signos) falam da necessidade de assentar ou apaziguar Oggún para evitar acidentes ou intervenções policiais, já que ele governa os metais e a violência física.
Em resumo, Oggún é a energia da ação e da execução. Se Eleguá é a oportunidade, Oggún é o trabalho duro que transforma essa oportunidade em realidade concreta.