Ewa
No Ifá Cubano, Ewá (também conhecida como Yewá) é uma das divindades mais enigmáticas, raras e rigorosas do panteão. Ela representa a pureza virginal, a solidão, a castidade e, acima de tudo, o mistério da transformação e o domínio sobre os mortos (Eggun).
Ewá habita os lugares onde a vida e a morte se encontram. No sistema cubano, ela é frequentemente associada ao cemitério, mas especificamente ao ato da decomposição e à entrega das almas. Ela vive dentro das tumbas e é considerada a guardiã dos ossos.
A Pureza: Ela é a virgem por excelência. Sua lenda conta que ela se isolou do mundo para manter sua castidade e pureza, fugindo de qualquer contato masculino.
Ewá é a dona da percepção além do plano físico. Ela rege o entardecer (o céu rosado ou avermelhado antes da noite) e a névoa. Por viver entre mundos, ela concede aos seus filhos e devotos o dom da intuição profunda e da adivinhação através do que não é óbvio.
Em Cuba, Ewá forma uma trilogia espiritual com Oiá (Iansã) e Obá, conhecidas como as "senhoras do cemitério":
Oiá: É a dona da porta do cemitério (o vento que leva o espírito).
Obá: É a dona da custódia e do túmulo.
Ewá: É a dona do que acontece lá dentro, a transformação final da matéria e a proteção do espírito no além.
Ewá é conhecida por ser extremamente "delicada" e rigorosa. No Ifá Cubano, diz-se que ela não tolera desrespeito à moral ou à discrição. Seus filhos costumam ser pessoas muito analíticas, reservadas e com uma forte tendência à espiritualidade solitária.
No catolicismo cubano, Ewá é sincretizada com Nossa Senhora dos Desamparados ou, em algumas regiões, com Santa Clara de Assis (pela ideia da castidade e da luz clara da visão).
Ewá no Ifá Cubano é a divindade da transmutação. Ela ensina que a beleza pode existir no isolamento e que a morte não é um fim, mas uma passagem protegida por sua virgindade sagrada. Ela é a luz rosa que brilha no horizonte quando o sol se põe, marcando o limite entre o mundo dos vivos e o reino dos ancestrais.