Yemanjá
No Ifá Cubano Yemayá (como é grafada em Cuba) é uma das divindades mais poderosas, respeitadas e centrais do panteão. Ela é a Mãe Universal, a senhora de todas as águas saladas (os mares e oceanos) e a personificação da maternidade.
Sua importância é absoluta, pois ela é considerada a mãe de muitos dos Orixás mais populares e a fonte primordial da vida.
Maternidade Divina: O nome Yemayá deriva do iorubá Yeyé Omo Ejá, que significa "Mãe cujos filhos são peixes", simbolizando a imensidão de sua descendência. Diz-se que todos os seres humanos são filhos dela, pois durante nove meses nadamos como peixes no líquido amniótico da placenta de nossas mães.
A Criadora: Em muitas patakís (lendas) cubanas, Yemayá é vista como uma divindade primordial que participou da criação do mundo junto com Obatala. Da sua união ou de suas entranhas nasceram os rios, as estrelas, a lua e muitos Orixás.
Domínio Territorial: Enquanto Ochún reina sobre as águas doces, Yemayá reina sobre a imensidão dos oceanos. Ela é a dona das ondas, das marés e das correntes marinhas.
Guardiã de Tesouros: O fundo do mar é visto como o seu palácio, onde ela guarda riquezas incalculáveis. Por isso, é invocada não apenas para proteção, mas também para abundância material, estabilidade nos negócios e para recuperar o que foi perdido.
Temperamento Mutável: Como o próprio mar, o caráter de Yemayá é complexo e mutável. Ela pode ser calma, doce, generosa e protetora como uma mãe que acolhe, mas quando provocada, sua fúria é terrível e implacável como uma tempestade oceânica. Ela não castiga com frequência, mas quando o faz, é inflexível.
Sábia e Intelectual: Representa a sabedoria acumulada, a intelectualidade e o conhecimento profundo.
Assim como outros Orixás em Cuba, Yemayá se manifesta através de diferentes "caminhos", que representam diferentes fases de sua vida, aspectos de sua personalidade ou as diferentes partes do mar que ela domina. Alguns exemplos:
Yemayá Ashabá: A mais velha de todas, considerada a primeira filha de Olokun. Vive no mar alto, é sábia, rica e muito respeitada. Sua coroa é encimada por um barco com uma âncora.
Yemayá Okuté (ou Okuti): A guerreira. Vive nos arrecifes da costa, onde as ondas quebram com força. Trabalha junto com Ogun e é a única Yemayá que não suporta Xangô.
Yemayá Abu Agana (ou Agana): A fúria do mar profundo. Vive onde tudo é escuro. É uma divindade temível, esposa de Orixá Oko (o deus da agricultura), e dizem que quando vira na cabeça de seus filhos, o céu fica nublado.
A relação de Yemayá com Ifá (o sistema de adivinhação) é marcada por lendas de respeito e poder.
Adivinha Primordial: Conta-se que Yemayá era tão sábia que aprendeu a arte da adivinhação com as conchas (Dilogún) com o próprio Orunmilá.
Homenagem: Em respeito à sua sabedoria, quando Yemayá aparece em um Odú (signo de adivinhação), os Babalawos devem render-lhe homenagem, tocando a testa no tabuleiro de Ifá.
Em resumo, para o praticante de Ifá Cubano, Yemayá é a força nutritiva original, o refúgio maternal quando tudo vai mal e a força indomável da natureza que garante a continuidade da vida na Terra através das águas. Sem ela, o mundo seria um deserto estéril.