Xangô
No Ifá Cubano, Changó (ou Xangô) é uma das divindades mais centrais e populares do panteão. Ele é o Orixá do trovão, do raio, do fogo, da guerra, da dança e da virilidade.
Diferente de outras divindades que são forças da natureza puras, Changó é visto como um ancestral divinizado. Ele foi o quarto Alafin (Rei) do Império de Oyó. Em Cuba, sua figura representa a realeza, a autoridade e a justiça por meio da força.
Uma das lendas (patakís) mais importantes no Ifá Cubano descreve que, originalmente, Changó era o dono do Tabuleiro de Ifá e do segredo da adivinhação. No entanto, ele trocou o sistema de adivinhação com Orunmilá pela dança e pelo tambor (os tambores Batá).
Por essa razão, diz-se que Changó é o "pai" de Ifá em termos de linhagem e um de seus maiores defensores.
Todo Babalawo, independentemente do seu Orixá pessoal, deve ter um respeito profundo por Changó.
No processo de transculturação em Cuba:
Sincretismo: É fortemente sincretizado com Santa Bárbara.
Cores: Vermelho e branco.
Atributos: Seu símbolo principal é a Oshé (um machado de lâmina dupla), que representa a justiça rápida e o equilíbrio.
Números: O número 6 e seus múltiplos (especialmente o 12).
Changó é a personificação da alegria de viver, mas também da fúria implacável.
Justiceiro: Ele castiga os mentirosos e ladrões com o raio.
Estrategista: Embora impulsivo, é um guerreiro inteligente.
Dono dos Tambores: Ele é o dono dos tambores Batá; sem a sua permissão, não se toca para os outros Orixás.
No Dilogún (conchas) e no Ifá, Changó "fala" principalmente através de signos como Obbara (onde se diz que "o rei não mente") e Eyila Chebora, que é o seu signo principal, representando conflitos, vitórias e a necessidade de autocontrole.
Em resumo, para o Ifá Cubano, Changó não é apenas um deus do trovão, mas o símbolo da resistência cultural africana, o dono da música e o rei que abriu mão da adivinhação para que a ordem do universo fosse estabelecida por Orunmilá.