Yansan
No Ifá Cubano e na Santería, Oiá (frequentemente chamada de Yansán) é uma das divindades mais poderosas, complexas e respeitadas. Ela é a senhora dos ventos, das tempestades, do raio (que ela compartilha com Changó) e a guardiã dos portões do cemitério.
Oiá representa o ar em movimento — desde a brisa suave que traz frescor até o furacão devastador que muda tudo de lugar. No Ifá Cubano, ela é a força da mudança radical e da transformação. Ela não é apenas o vento, mas a "centelha" ou o clarão do raio que precede o trovão.
Diferente da visão em outras tradições, no Ifá Cubano, Oiá é a verdadeira dona da porta do cemitério (el camposanto).
Ela é a sentinela que recebe as almas dos falecidos.
Ela tem um domínio absoluto sobre os Eguns (espíritos dos mortos). Diz-se que Oiá é a única Orixá que os mortos respeitam e temem verdadeiramente. Por isso, ela é essencial em rituais de limpeza espiritual pesada.
Oiá é a companheira inseparável de Changó. No Ifá Cubano, conta-se que ela luta lado a lado com ele, usando dois sabres ou o vento para espalhar o fogo de Changó.
Ela é uma divindade de temperamento impetuoso e indomável.
Ela personifica a mulher guerreira que não teme a morte e que lidera exércitos.
Sincretismo: Em Cuba, é sincretizada com a Virgem da Candelária (Nossa Senhora da Candelária) e, em algumas regiões, com Santa Teresa de Jesus.
Oiá "fala" com grande força no signo Osa (9), onde se diz que "o vento move as folhas, mas não as destrói se houver flexibilidade". Sua presença em uma consulta de Ifá geralmente indica a necessidade de mudanças rápidas, cuidado com a saúde (sistema respiratório) ou a influência de antepassados.
Embora seja associada ao cemitério, Oiá é uma divindade vibrante. Ela ama os mercados, as frutas de cores vivas (especialmente a beringela e a pitomba) e a liberdade. Ela é a personificação da mulher decidida que não aceita ser subjugada.
Em resumo, para o praticante de Ifá Cubano, Oiá é a força que limpa o caminho para o novo. Ela é a proteção contra espíritos obsessores e a coragem necessária para enfrentar as tempestades da vida. Sem Oiá, o mundo estaria estagnado, pois ela é o próprio sopro da vida e a transição final para o além.