Oxumarê

Oxumarê

No Ifá Cubano, a figura de Oxumarê (ou Oshumare) possui uma particularidade histórica e litúrgica muito interessante: ele é um Orixá cujos fundamentos e rituais de consagração direta (fazer o "santo" na cabeça de alguém) foram, em grande parte, perdidos ou tornados extremamente raros na Santería cubana tradicional.
Oxumarê representa a continuidade, o ciclo da vida e o equilíbrio. Ele é a energia que permite a comunicação entre o céu (Orun) e a terra (Aiye).
A Serpente (Ejó): Representa o movimento, a regeneração (troca de pele) e a riqueza que vem da terra.
O Arco-Íris: Representa a interrupção da chuva e a união entre o sol e a água. Em Cuba, essa transição é vista como um presságio de equilíbrio e fim de ciclos negativos.
Diferente de Oxum ou Xangô, na maioria das linhagens de Cuba, não se "faz" Oxumarê na cabeça. Quando uma pessoa é filha deste Orixá, ela geralmente é coroada com Iemanjá ou Oxum (com "oro" para Oxumarê), e recebe o fundamento de Oxumarê à parte. Ele é considerado um Orixá de Adimu (recebido por necessidade ou caminho espiritual).

No Ifá Cubano, Oxumarê está intimamente ligado à prosperidade material. Ele é quem transporta a água do mar para o céu para que as nuvens se formem e a chuva caia, fertilizando a terra. Sem esse movimento cíclico, a economia e a agricultura morreriam. Por isso, ele é invocado para que o dinheiro e a sorte "não parem de circular".
Na tradição afrocubana, Oxumarê é frequentemente citado como filho de Nanã Buruku (a Orixá mais velha das águas lodosas). Ele herdou dela o conhecimento sobre os segredos mais antigos e a relação com o destino profundo. Em muitas cerimônias de Nanã em Cuba, Oxumarê é saudado para garantir que a energia flua.
Em Cuba, ele é sincretizado com São Bartolomeu, que muitas vezes é representado com uma faca ou dominando um demônio (serpente), o que facilitou a associação visual e mística.
Oxumarê é o Orixá da Mudança. Ele é chamado quando a vida está estagnada. Ele ensina que tudo o que sobe deve descer, e que a riqueza está no movimento constante da natureza. Embora sua liturgia de coroação seja rara em Cuba, sua presença é sentida em cada chuva que termina com o sol, simbolizando a esperança e a renovação de que "dias melhores virão após a tempestade".