Ibeji

Ibeji

No contexto do Ifá Cubano, os Ibejis (ou Jimaguas em espanhol) ocupam um lugar de imensa alegria, mas também de grande poder místico e proteção. Eles não são apenas crianças que brincam; são divindades que personificam a dualidade, a fortuna e a capacidade de vencer o mal com a astúcia.
Os Ibejis são orixás gêmeos. Na cosmologia de Ifá, eles são considerados filhos de Xangô e Oiá (embora em algumas linhagens sejam criados por Iemanjá ou Oxum). Eles representam a dualidade humana: o bem e o mal, o dia e a noite, a alegria e a tristeza.
Taewó: O primeiro a nascer.
Kaindé: O segundo a nascer (considerado o mais velho espiritualmente, pois "enviou" o primeiro para testar o mundo).
Um dos patakís (lendas) mais famosos em Cuba narra como os Ibejis salvaram a humanidade de Abita (o Diabo).
Abita havia colocado armadilhas em todos os caminhos. Os Ibejis, usando um tambor mágico, começaram a tocar e dançar. Enquanto um descansava e comia, o outro continuava a música, alternando-se tão rapidamente que o Diabo pensou ser uma única criança com energia infinita. Exausto e derrotado pelo ritmo incessante, o Diabo foi forçado a retirar as armadilhas e libertar os caminhos.
Os Ibejis são vistos como protetores das crianças e como portadores de sorte e prosperidade.
Veneração: São os únicos orixás que "vencem as dificuldades rindo". São invocados para desobstruir caminhos financeiros e para proteger a saúde infantil.
Oferendas: Doces, bolos, frutas, arroz com frango e, especialmente, o Eko (massa de milho). Em Cuba, é comum fazer festas para crianças em nome dos Jimaguas para atrair bençãos.
No catolicismo cubano, os Ibejis são sincretizados com São Cosme e São Damião, os santos gêmeos médicos. Sua festividade é celebrada em 27 de setembro.
No Ifá Cubano, os Ibejis são a prova de que a pureza e a alegria são armas poderosas. Eles provam que a inteligência e a união (a dualidade em harmonia) podem derrotar qualquer força negativa, por mais densa que seja.