Obatalá e suas filhas escandalosas - OGUNDA DIO

Obatalá e suas filhas escandalosas - OGUNDA DIO

Obatalá vivia com suas filhas, mas não tinha tranquilidade. Elas eram muito barulhentas e negligentes com seus assuntos pessoais e com a limpeza da casa.

Cansado de lhes chamar a atenção pela vida doméstica desordenada, ele decidiu abandoná-las e foi embora de casa. Com o tempo, as filhas começaram a ter problemas: duas morreram, outras adoeceram e a casa mergulhou em um atraso total.

A filha mais nova tomou a decisão de ir ver Orunmilá, que fez o osode (consulta) e viu este Odu de Ifá: Ogunda Dio. Orunmilá lhe disse:

"Você tem problemas com o seu anjo da guarda, pois ele te abandonou e não vive mais na sua casa. Você precisa mudar sua maneira de ser e empreender uma nova vida."

Ele a orientou a banhar-se com as ervas (ewe) Algarrobo (Algarrobeira), Salvadeira, Prodigiosa e Algodão, e a lavar a casa com essas mesmas ervas.

Obatalá, entregue aos enigmas da solidão, andava rondando pelos caminhos. Convencido de que a solidão é uma má companhia e conselheira, viu uma bela casa pintada de branco e decidiu entrar. Para sua surpresa, encontrou ali suas filhas, que o abraçaram e disseram:

"Pai (Baba), perdoe-nos; não nos abandone mais. Nós já mudamos nossa vida. Veja a casa com seus próprios olhos."

O pai, ao ver a tranquilidade, o asseio e a ordem que reinavam, decidiu ficar na casa e exclamou: To iban Eshu.