Nasce o não fazer Ifá para os adOdi (homossexuais) - ODI ATAKOFENO

Nasce o não fazer Ifá para os adOdi (homossexuais) - ODI ATAKOFENO

Na terra Yesa vivia Oshún e ela tinha um caso de amor com um homem que era pescador, chamado Erinie de Edo. O menino que nasceu da união de Oshún com o pescador recebeu o nome de lOgun ede (Logun Edé). Este menino, ao nascer, adquiriu de seu pai uma magia que lhe permitia ser seis meses homem e seis meses mulher. Nunca ninguém soube deste segredo, pois seus pais, para evitar a vergonha, sempre viajavam de um lugar para outro, e os que o conheciam como homem não o conheciam como mulher.
Assim ele foi crescendo e, já adulto, era conhecido em toda a terra Yorubá, às vezes como homem e outras vezes como mulher.
Um dia, Ologbojodu, que era um Awo (Babalaô) e Oba (rei) da cidade, conheceu-o como homem. Ao ver sua inteligência, pediu permissão a Orunmilá para fazer-lhe Ifá. Orunmilá lhe assinalou dúvidas e também recomendou que não lhe fizesse Ifá.
Ologbojodu obstinou-se em fazer-lhe Ifá e o fez. Tudo ia bem, mas quando se passaram seis meses, lOgun ede disse ao seu padrinho que tinha que se ausentar por seis meses; a realidade é que chegara o período de seis meses em que tinha que ser mulher.
lOgun ede partiu, mas aconteceu que, naqueles dias, no mercado de Igada, apareceu uma mulher de uma beleza sem igual que fazia todos os okuni (homens) se apaixonarem por ela. Um dia, Ologbojodu a viu e ficou encantado com sua beleza. Ele a cortejou e ela o correspondeu, levando-a para sua casa (ilé). Ao perguntar-lhe o nome, ela disse que se chamava Omi Lorbe.
Viveram em harmonia e, ao cabo de seis meses, ela lhe disse que tinha que partir para visitar uns parentes. Naquela noite, essa linda mulher — que não era outra senão lOgun ede em sua transfiguração de mulher —, tendo Ologbojodu apaixonado por ela, ele a possuiu com luxúria e adormeceram. Ao bater meio-dia (12h), cumpriu-se a etapa dos seis meses de mulher e lOgun ede se transformou em homem. Ao despertar, Ologbojodu ficou surpreso ao não ver dormindo ao seu lado a linda mulher Omi Lorbe, mas sim o seu afilhado lOgun ede.
A confusão tomou conta da mente de Ologbojodu e, horrorizado, foi ao pé de Orunmilá. Cumprimentou-o, e Orunmilá fez o jogo de consulta (osOde), saindo novamente o Odù ODI ATAKOFENO, que lhe marcava a morte (Iku) por desobediência, vício e corrupção. Iku vinha buscá-lo, e somente Faun, que vivia no coração da floresta, conhecia o segredo de ODI ATAKOFENO para salvá-lo da morte (lokpa leri). No entanto, ninguém sabia o caminho para a casa de Faun, exceto Abanakue, um Eleguá que aceitou levar o Awo à casa de Faun em troca de oferendas (awa oin meni, eñi meni e aikordie).
Ologbojodu levou o que lhe fora assinalado no ossode...
Quando chegaram à casa de Faun, este, inteirado do assunto que o levava até ali, ensinou ao Awo Ologbojodu a trepadeira de ahikale (cérebro vegetal) para fazer ritual à cabeça (obori) e se salvar da morte (Iku). Para lOgun ede, assinalou um ebó e dar aos Ibejis (gêmeos). Além disso, assinalou como sentença para o futuro que ele se retirasse do exercício de Ifá e colocasse coquinhos sagrados quebrados/definitivamente inativos (ikines ofo) em sua coroa (ade).
Por tudo isso é que, desde então, para evitar uma vergonha ou vexame, não se faz Ifá para nenhum homem duvidoso (okuni) ou adOdi.
Este Oddun fala de dois homens que, ao serem marido e mulher, se não deixarem essa prática, Ela (Orunmilá) os matará.